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"Operário, um baluarte do futebol brasileiro"

Por: 
Artigo: Gilson Cavalcanti Ricci (Fonte - Correio do Estado)
14/04/2018

 

Ressurge a fênix pantaneira! O legendário Galo Valente voltou a cantar alto nas madrugadas da nossa bela Cidade Morena! Milhares de torcedores, espremidos nas arquibancadas do majestoso Estádio Universitário de Campo Grande, demonstraram fidelidade a um dos grandes baluartes do futebol brasileiro do passado, o eterno Operário Futebol Clube, que quedou no esquecimento durante 21 anos como uma folha seca sem valor.

 

Todavia, eis que aquela chama ardente dos anos setenta reacende-se ardorosamente, levando ao delírio a nação pantaneira! Corações sul-mato-grossenses exultaram de felicidade, gritando freneticamente a senha dos campeões: “É campeão! É campeão! É campeão!”. Homens rústicos, mulheres belas, adolescentes e até velhos, uníssonos a uma só voz, não resistem ao impacto da emoção, com lágrimas a correr em seus rostos queimados pelo sol ardente da Terra Morena! Salmázio aciona o apito final, e a bizarra avalanche de torcedores energizados pela magia invade o campo numa agitação frenética e colorida, digna de um épico de Cinecittà!

 

O Operário honrou o futebol brasileiro em gramados nacionais e internacionais, por onde passou como um vendaval a abater seus poderosos rivais. Naquele tempo, meu coração jovem batia fortemente com o encanto de cada gol de seus exímios artilheiros comandados por Carlos Castilho. O glorioso Galo Valente brilhou não somente em nossa amada Campo Grande, mas também em outras grandes cidades brasileiras e estrangeiras, onde atuou com a galhardia digna do futebol brasileiro tri-campeão mundial.

 

No Morumbi, em São Paulo, mostrou o valor do futebol pantaneiro perante a gigantesca plateia de 123.092 (cento e vinte três mil e noventa e dois) torcedores, em disputa da semifinal do Campeonato Brasileiro de 1977, com o São Paulo – a maior plateia registrada daquele estádio até então. Naquela partida, o árbitro expulsou três jogadores do Operário de uma só vez, isto no segundo tempo, quando o placar era de zero a zero, o que vislumbra a intenção de impedir a continuidade de nossa equipe no certame e a chance do título, pois, desfalcado de três atacantes expulsos, o Operário teve desarticulado seu esquema tático, vindo sofrer três gols nos quinze minutos finais da partida, que findou em 3 X 0 para o São Paulo.

 

Semifinal São Paulo & Operário no Morumbi para um público de 123.092 no Brasileirão de 1977
 

No jogo de volta, em Campo Grande, o Operário venceu o São Paulo por 1 X 0, terminando o Campeonato Brasileiro daquele ano em 3º lugar – façanha jamais conquistada por qualquer outro time de cidades afastadas das grandes regiões de influência do futebol brasileiro. No Brasileirão, enalteceu a garra de seus defensores, sagrando-se no 5º lugar, em 1979, e no 7º, em 1981. Em 1982, sagrou-se campeão em Seul, capital da Coreia do Sul, onde disputou a copa “Cup Footbal President’s”, na qual participaram times de peso no ranking mundial, como o  Bayer Leverkusen, da Alemanha – vencido pelo Operário –, e o PSV Eindhoven, da Holanda. Na final, empatou com a seleção sul-coreana em 1 x 1, conquistando o título.

 

Além desses feitos admiráveis, outras memoráveis epopeias, como o troféu conquistado na “Copa da Seleção Russa”, em 1973, na qual enfrentou e venceu galhardamente aguerridas equipes dos países do Leste Europeu e da Ásia, como o Dínamo, de Moscou, o Arsenal, de Londres, o Bayer de Munique e o Paris San Germain, e em 1974, mostrando ao mundo sua garra no memorável empate no jogo com a seleção de Portugal diante de milhares de portugueses, que lotaram o Estádio Nacional de Lisboa, onde estava presente o então presidente do Brasil, General Emílio Médici, em companhia de autoridades daquele país. Além do brilhante título do Brasileiro da série B Módulo Branco) em 1987.

 

Aplausos calorosos ao presidente do Operário Futebol Clube, o experiente empresário Estevão Petrallás, e à sua brilhante diretoria, que não mediu esforços para trazer de volta multidões de torcedores aos estádios, fazendo renascer a glória do nosso eterno Galo Valente!

 

*Com a conquista o Operário F.C está de volta as principais competições Nacionais, como a Copa do Brasil, Brasileiro da Série D, Copa Verde e também garantido em nosso estadual em 2019.

 

Estevão Petrallás (ao centro) comemorando com diretores e comissão técnica o título do Operário em 2018